Antonio Pita, de A TARDE
Às 21h45, Coldplay subiu ao palco no estádio do Morumbi, em uma noite cinzenta e fria da capital paulista cujos termômetros mais otimistas marcavam 16º. Mas a chuva esperada por muitos não apareceu e o frio não foi suficiente para impedir os cerca de 60 mil fãs da banda de vibrar e cantar com os músicos em todas as músicas do show.
Na plateia, um público formado, em grande parte, por adolescentes histéricos, que quereriam ver e cantar com o Coldplay os sucessos do último disco, Viva La Vida ou Death and All His Friends, que vendeu 8 milhões de cópias e consagrou a banda. Mas também muitos adultos indies e quarentões que esperavam pela pegada mais melancólica e intimista dos três primeiros albums do grupo. Esses podem ter saÃdo decepcionados.
A megaestrutura montada para o show – que teve desde fogos de artifÃcio, chuvas de papel picado e grandes telões – favoreceu aqueles novos fãs com sede de espetáculo grandioso. E foi o que se viu durante as duas horas de show, numa performance vigorosa da banda, com destaque para o baterista Will Champion, e para o lÃder Chris Martin, extasiado com o público. “Não há melhor jeito de comemorar o seu aniversário do que tocando com 60 mil brasileirosâ€, declarou o lÃder do grupo, após ter sido saudado pela galera com um “parabéns pra vocêâ€, puxado no violão pelo baterista.
Coldplay seguiu a risca o roteiro do show, também visto pelos brasileiros no domingo, no Rio de Janeiro. Para começar, a instrumental Life In Technicolor e Violet Hill, ambas do álbum mais recente. E logo em seguida, uma sequência de grandes sucessos, como Clocks, In My Place e Yellow, nas quais o grupo mostra sua força e consegue, de fato, empolgar a galera.
Mas as músicas novas são a base do show, que tem ainda Cemeteries of London, Lost!, 42 e Strawberry Swing, uma das mais queridas do público, que teve uma versão apagada. É mesmo quando toca os antigos sucessos que o Coldplay se entrega e emociona o público, como em Fix You e Hardest Part. O grupo também tocou Postcards From Far Away, que antecedeu o grande hit Viva la Vida, cantada por todos, mesmo após o final da execução. “Uau! Fantásticoâ€, exaltava Chris Martin.
Em dois momentos, os integrantes da banda saem do palco central e se dirigem a duas plataformas armadas no meio do público, em uma tentativa de retomar o clima intimista da banda. Eles tocam o sucesso God Put A Smile Upon Your Face/ Talk , mas o arranjo com uma batida eletrônica desencanta alguns fãs. Também Shiver, que ganhou versão acústica só em violões e um pandeiro, decepciona. A faixa evidenciou os problemas de som do show e a produção chegou a ser vaiada. Em diversos momentos o público das arquibancadas pediu, em coro, para que o volume do som fosse aumentado.
As vaias logo são esquecidas quando, já no palco principal, os caras retomam o som imponente com Politik e Lovers in Japan, com direito à chuva de papel picado em forma de borboletas fluorecentes. O efeito traz um belo colorido à noite cinza de São Paulo, e o público vai ao delÃrio. Por fim, Death And All His Friends, e no bis, como não poderia faltar, The Cientist.
Convencidos de que o show tinha, de fato, terminado, os fãs deixam o estádio entoando o canto de Viva La Vida, extasiados. Muitos não resistem, e levam de souvernir algumas das milhares de borboletas que coloriram a noite. Ao que parece, Coldplay conseguiu equilibrar a balança entre o rock vigoroso e as baladas melódicas, entre pop e indie, entre adolescentes e quarentões.